Obras sem data

Brizzolara, Luigi

A muito lacunar biografia conhecida desse escultor italiano enfatiza o sucesso obtido na América do Sul, e em particular na cidade de São Paulo, onde se encontram diversas obras de Brizzolara como os bandeirantes “Fernão Dias”, “Raposo Tavares”, no Museu Paulista; e o “Anhanguera”, no Trianon-Masp; ou, no Cemitério da Consolação, os túmulo da família Machado e da família Carvalho. Para o Conde Francisco Matarazzo, realizou o mausoléu da família e também um importante retrato do Conde, instalado no antigo Hospital e Maternidade Umberto I. Há, por fim, na capital paulistana, o conjunto de esculturas em homenagem a Carlos Gomes que, desde 1922, marca a paisagem entre o Viaduto do Chá e o Teatro Municipal de São Paulo, no Vale do Anhangabaú. Enrico Luigi Brizzolara nasceu, a 11 de julho de 1868, em Chiavari, na região da Ligúria. Seu pai era entalhador e ao lado dos oito irmãos, Luigi Brizzolara aprendeu o ofício do entalhe, antes de se encaminhar para os ateliês de escultura. Aos 23 anos, Brizzolara transferiu-se para Gênova, ingressando na Accademia Ligustica di Belle Arti, sendo aluno do escultor Giovanni Scanzi (1840-1915). Anos mais tarde, em 1899, Brizzolara seria ele próprio nomeado professor nesta academia, cargo que ocupou até o seu falecimento, em 11 de abril de 1937. Dentre os frutos da notória boa relação desenvolvida entre Brizzolara e Scanzi, destaca-se a proeminência adquirida pelo pupilo com a estatuária fúnebre, legado absoluto do professor. Como consequência disso, é em Staglieno, o excepcional cemitério genovês, que se encontra a mais extensa coleção de obras preservadas de Luigi Brizzolara, produzidas ao longo de toda sua carreira. Dentre as mais importantes e admiradas estão o túmulo de G.B. Castagnola (1905), da Família Felugo (1907), dos Barbieri Pozzo (1918) e de Lavarello Anselmi (1926). Chiavari, sua terra natal, seria outro importante canteiro de atuação do escultor. A começar pelo Monumento a Vittorio Emanuele II, realizado entre os anos de 1893 e 1898, encomenda de grande prestígio com desdobramentos importantes para a consolidação de sua carreira. Destacam-se também em Chiavari o monumento túmulo a Emanuele Gonzalez (1901), encomendado pela Società Economica para homenagear um de seus beneméritos; as estátuas de Malaquias e Isaias (c.1900) para a Cappella del Crucifisso na Chiesa di San Giovanni Battista, e, na fachada desta mesma igreja, as estátuas de São João Batista e São Marcos , datadas de 1935; o Monumento aos Mortos da Primeira Guerra Mundial, de 1928. Como muitos escultores do período, dentre os quais colegas da Accademia Ligustica di Belle Arti, como Michele Sansebastiano (1852-1908) e Lorenzo Massa (1858-1941), Luigi Brizzolara buscou o crescente mercado para a arte que se desenvolvia na América, atuando, até onde sabemos, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Buenos Aires, polos nos quais o grande fluxo de imigrantes italianos ajudava a consolidar um contexto geral favorável à vinda de artistas estrangeiros. A presença das obras de Luigi Brizzolara no Brasil, e também na Argentina, explica-se ainda pelos atrativos concursos internacionais promovidos na época em razão da celebração do primeiro centenário de independência desses países. Três desses concursos que contaram a participação do chiavarese, vencedor em duas ocasiões (Buenos Aires, 1909; e Rio de Janeiro, 1923), tendo recebido o encorajador segundo prêmio no concurso paulista, em 1920. responsável: Fanny Lopes

Dados sobre o Warburg

18999

5817

3691

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