Obras sem data

Reni, Guido

Guido Reni (1575-1642) foi um dos maiores pintores italianos do século XVII, e provavelmente um dos mais reconhecidos em vida. Cantado por poetas e biografado por contemporâneos de relevo, como Malvasia e Bellori, Reni tornou-se conhecido no mundo italiano do século XVII como o “divino” Guido. Nascido em 1575, em Bolonha, aos nove anos foi levado pelo pai para estudar com o pintor flamengo Calvaert. Reni integrou o ateliê de Calvaert como aprendiz até por volta de seus vinte anos, quando passou a fazer parte da Accademia del Naturale, dos irmãos Carracci. Sua trajetória foi profundamente marcada por sua primeira viagem à Roma, em 1600, que estabeleceria a arte antiga e contemporânea da cidade como ideais para Reni, também um grande admirador de Rafael. De 1600 até 1614, Reni permaneceu em Roma, a serviço de cardeais e do próprio Papa Paulo V, quando retornou a Bolonha, onde viveu a partir de então até o fim da vida, ainda que circulasse entre as duas cidades. Após a morte de Annibale Carracci, em 1609, Reni tornou-se o maior expoente da escola emiliana. Os afrescos de 1610, produzidos no Palazzo del Quirinale, no Vaticano e em diversas igrejas (como por exemplo San Gregorio Magno al Cielo) explicitam a filiação de Reni a essa pintura emiliana de inspiração clássica, que culmina na Aurora do Palazzo Ludovisi. São marcas da pintura de Reni a importância capital do desenho e a exaltação da claridade. A partir de 1630, no entanto, Reni passou a desenvolver o que ficou conhecido como sua seconda maniera , expressivamente bastante diversa do restante de sua obra. Suas pinturas tornaram-se aéreas, quase completamente monocromáticas e marcadas pelo uso de pinceladas longas e fluídas, responsáveis pela criação de uma atmosfera de intensa melancolia. O fim da vida do pintor foi também marcado por constantes necessidades financeiras, causadas principalmente pelo agravamento do seu vício em jogo após a morte de sua mãe e seu próprio adoecimento, por volta de 1630. A repercussão póstuma de Reni e sua obra é vasta e varia de acordo com o gosto e aceitação do classicismo por parte de cada período. De modelo absoluto ao completo esquecimento, motivou ao longo dos séculos grande quantidade de textos de critica. Foi festejado em seu próprio tempo, amado pelo século XVIII, odiado pelo século XIX. Mesmo seus detratores, no entanto, sempre foram forçados a admitir a enorme qualidade técnica de sua obra. Quintessencialmente um acadêmico clássico, Reni foi também um dos mais elegantes pintores registrados pela história da arte. (Por Juliana Guide)

Dados sobre o Warburg

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